Lendas urbanas natalinas
Numa peregrinação noturna pelo Terraço em dia que antecede o natal, você pode se surpreender. Além do que já é esperado – compras de última hora, restaurantes cheios e decoração natalina acesa -, histórias muito inusitadas se realizam no Shopping. São coisas que a gente nem faz ideia, sobre missões secretas, promessas originais e casamentos na UTI. Enquanto o clima é de confraternização e consumismo, as lendas urbanas natalinas acontecem como se não houvesse 2010.
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O Fiat 500 que vai ser sorteado no dia 26 é lindo e virou um objeto de desejo, isso é fato. O que eu não sabia é que, em nome dele, tem gente abrindo mão do próprio veículo! Encontrei a Julieta* na fila da troca de cupons com uma pilha de notas fiscais na mão. Conversa vai, conversa vem, ela falando de como PRECISA desse carro… E solta: “Tenho certeza que ele vai ser meu. Mas só pra garantir, fiz uma promessa. Agora só ando de carro de novo se for dentro do Fiat 500 sorteado pra mim!”.
Cara, ela simplesmente parou de andar de carro em Brasília. Agora só faz tudo a pé, de carona, metrô ou ônibus. Mas que santo garante automóveis a fiéis que almejam ganhar um deles? “Santo Expedito, claro. Das causas impossíveis”, revelou a Julieta. Ao lado do seu Romeu e já com uma certa impaciência comigo. Se ela ganhar o carro, combinamos de contar sua proeza aqui no blog. Quem viver, verá.

Confissões à beira de um trono natalino
Depois foi a vez do Papai Noel. Fiquei na dúvida se os pedidos das crianças viram segredos inconfessáveis que nem as confissões de igreja, e descobri que sim… Em parte. É permitido contar alguns milagres sem dizer o nome dos santinhos: “Já me pediram para acabar com uma guerra e para evitar o fim do casamento de papai e mamãe”. Paramos por aqui, para não ultrapassar nenhum limite do natal.
Uma coisa é certa: Papai Noel ainda é uma verdade absoluta, mesmo nos dias céticos de hoje. “99,99% das pessoas acreditam, e não falo apenas dos pequenos!”, decretou o bom velhinho, que só num dia recebeu os pedidos de 2500 crianças.

Pata de camelo, a sensação da nova coleção
Finalmente, os sapatos. Ah, os sapatos! Ah, as mulheres que precisam tanto deles! Li numa pesquisa da Fecomércio publicada ontem que a venda deles tinha caído em Brasília… Só não sei aonde! Porque pelas lojas que eu passo só tem multidão. Lá na Arezzo, a gerente Deborah Denise me falou sobre “os produtos de desejo do momento”. Só no último mês, cerca de 1800 deles foram vendidos na loja, que frequentemente é palco de pequenas obsessões e provas de amor aos altares que calçam os nossos pés.
Tem mulheres que chegam vestidas e maquiadas pra sair, só no ponto de encontrar um sapato. E aquelas que compram um par e escondem na bolsa pra que ninguém veja. “Algumas compram vários e deixam aqui na loja. Aí passam todo dia pra buscar um, para que ninguém em casa note o tamanho da compra”, entrega a gerente da Arezzo. Sem falar na noiva que trocou um anel por um sapato. “Ela ligou para o noivo e perguntou se ele já tinha comprado o presente dela. Quando ele disse o que era, ela disse que preferia os saltos”, lembrou a Deborah.
Falando em objetos de desejo, vejam só o que eu achei: a bolsa mais cara da loja. Por R$ 899, dá pra levar esse acessório feito de couro de cabra e dono de uma alça brilhante.

Lendas urbanas natalinas: elas existem de verdade e moram num Shopping.
* O nome foi trocado a pedido da entrevistada.



